MST e MTST: o papel das mulheres na luta pela terra e moradia

O que é o MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nasceu da luta histórica de camponeses e camponesas pelo acesso à terra no Brasil. Sua estratégia central — a ocupação de latifúndios improdutivos — tem raízes no Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master), que atuou no Rio Grande do Sul entre 1960 e 1964, e foi reafirmada pelo MST como sua principal forma de organização e enfrentamento.

Ocupar terra, nessa tradição, não é um gesto isolado: é entrar em imóveis rurais que não cumprem sua função social e reivindicar que a terra sirva à vida, não ao negócio. O mesmo princípio vale para as ocupações urbanas por moradia, bandeira do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST); a luta pela terra e a luta pela casa são, na prática, a mesma luta: o direito de existir com dignidade em um território.

Por que essa luta importa? Os números não deixam dúvida

O Boletim Dataluta (NERA/UNESP, nº 93, setembro de 2015) traz um retrato preciso dessa história na Paraíba, e ele fala por si:

  • Entre 1989 e 2013, foram registradas 204 ocupações de terra no estado, com a participação de 774 famílias — cerca de 91 mil pessoas que colocaram o corpo na luta por um pedaço de chão.
  • O maior salto aconteceu entre 1995 e 1998, quando o número de ocupações cresceu 62,5%, impulsionado pela indignação nacional após os massacres de Corumbiara (RO, 1995) e Eldorado dos Carajás (PA, 1996) — episódios que mostraram ao país o preço de sangue da desigualdade no campo.
  • Entre 2004 e 2008 houve nova retomada: 61 ocupações e 5.529 famílias mobilizadas, movidas pela esperança de avanços na reforma agrária.
  • Das 204 ocupações do período, 75 foram organizadas pelo MST, envolvendo 802 famílias, e outras 24 tiveram apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), somando 2.171 famílias.
  • A Zona da Mata paraibana concentrou 41,2% de todas as ocupações — território historicamente marcado pelas Ligas Camponesas —, enquanto o Sertão respondeu por quase um terço da atuação do MST, região onde o fim da economia do algodão empurrou famílias inteiras para a luta por terra como única saída.

Esses números mostram algo simples: a ocupação não é radicalismo, é resistência. É a resposta organizada de quem foi expulso do direito à terra, à água e à moradia — e decidiu não aceitar isso em silêncio.

Uma luta que tem rosto de mulher

Por trás de cada acampamento, de cada ocupação, de cada assentamento conquistado, estão mulheres sustentando a organização coletiva: cuidando das crianças no barraco de lona, cozinhando para dezenas de famílias, enfrentando despejos, ocupando a linha de frente quando a repressão chega. A luta agrária é, historicamente, sustentada pelo trabalho invisibilizado das mulheres do campo e da periferia — e é hora de essa presença virar também representação política.

Rosely como aliada da causa

Rosely reconhece o MST e o MTST como protagonistas legítimos na construção de um país mais justo, e assume o compromisso de estar ao lado desses movimentos dentro e fora do mandato. Por isso ela propõe:

  • Presença nos territórios: visitar acampamentos e ocupações, ouvindo diretamente as famílias — não como gesto de campanha, mas como prática permanente de mandato.
  • Interlocução institucional: atuar como ponte entre os movimentos socioterritoriais e os órgãos responsáveis por reforma agrária e política habitacional, cobrando agilidade em vistorias, desapropriações e regularização fundiária.
  • Defesa de política pública, não de estatística: tratar reforma agrária e moradia como direito, propondo projetos de lei e indicações que fortaleçam assentamentos já existentes — infraestrutura, crédito, assistência técnica — e não apenas a criação de novos.
  • Enfrentamento da criminalização dos movimentos: posicionar-se contra tentativas de tratar a luta por terra e moradia como caso de polícia, defendendo o direito constitucional de organização e mobilização popular.
  • Protagonismo das mulheres da luta: criar espaços de escuta e formação política para as mulheres de acampamentos e ocupações, reconhecendo publicamente o papel que elas cumprem na sustentação desses movimentos.
  • Diálogo permanente: manter canal aberto com lideranças do MST, do MTST e da CPT, tratando-os como parceiros na construção de políticas para o campo e a cidade — não como pauta eventual de campanha.

Pegando fogo e fazendo luta. Rosely Louzada. Vote 13.110.

Fonte de dados: Boletim Dataluta nº 93 (NERA/UNESP, set. 2015) — “A luta de ocupação: sua evolução no estado da Paraíba”, Moreira, Ferreira, Dantas, Targino e Garcia.

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