Catadoras e catadores: o movimento que sustenta a reciclagem na Paraíba
Todos os dias homens e mulheres saem às ruas da Paraíba puxando carrinhos, separando papelão, plástico e metal. São os catadores e catadoras de materiais recicláveis; trabalhadores que, na prática, sustentam boa parte da reciclagem do nosso estado, mas que ainda lutam por reconhecimento, direitos e dignidade.
Quem são os catadores e catadoras
Catador de material reciclável é reconhecido oficialmente como profissão desde 2002. Ainda assim, a maior parte dessas pessoas segue trabalhando sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas garantidos e, muitas vezes, ganhando menos de um salário mínimo por mês, mesmo respondendo, segundo estimativas do setor, pela maior parte de toda a coleta de recicláveis feita no Brasil.
Na Paraíba, esse trabalho aparece organizado em cooperativas e associações espalhadas por diferentes cidades. Em Santa Rita, a Cooperativa de Trabalho dos Catadores e Catadoras de Reciclagem de Marcos Moura (COOREMM) nasceu em 2009, depois de um trabalho de base iniciado ainda em 2007 pela Pastoral Ambiental, e hoje é referência para famílias de bairros como Tibiri, Marcos Moura e Heitel Santiago. Em Patos, no Sertão paraibano, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascap) já soma 20 anos de atuação, sustentando cerca de 18 famílias que vivem da coleta seletiva. Em João Pessoa, cooperativas como a Acordo Verde vêm sendo acompanhadas por projetos de extensão universitária que apoiam sua formalização e fortalecimento.
O que essas mulheres e homens enfrentam todos os dias
Quem cata reciclável na Paraíba enfrenta, no dia a dia:
- Renda instável e baixa: em muitas cooperativas, mesmo depois de descontadas as despesas com transporte, o que sobra para dividir entre os catadores não chega a um salário mínimo por pessoa.
- Falta de reconhecimento e preconceito: catadoras relatam que ainda hoje precisam enfrentar o estigma de que o trabalho com reciclagem está associado à marginalidade, quando na verdade é um serviço essencial de proteção ao meio ambiente.
- Pouca estrutura de trabalho: muitas associações ainda dependem de galpões precários, poucos equipamentos de proteção e falta de prensas, balanças e veículos adequados para o transporte do material.
- Baixa escolaridade: parte significativa dos catadores não teve acesso à alfabetização completa, o que dificulta tanto a gestão das cooperativas quanto o acesso a direitos e políticas públicas.
Ainda assim, é um trabalho que carrega orgulho e propósito. Como resumiu certa vez uma catadora paraibana, o que sustenta a rotina é a certeza de que aquele material recolhido garante o alimento de cada dia para a própria família e para os companheiros de cooperativa.
Políticas públicas que já existem e que precisam sair do papel
A Lei Federal 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevê que catadores organizados em cooperativas sejam parceiros prioritários dos municípios na gestão de resíduos recicláveis. Na Paraíba, iniciativas como o projeto de extensão da UEPB em João Pessoa já trabalham há mais de dez anos apoiando a formalização de cooperativas, oferecendo alfabetização, formação em empreendedorismo, consultoria jurídica e equipamentos de trabalho — mas essas conquistas ainda dependem de parcerias pontuais, e não de uma política de estado consolidada.
Rosely, aliada dos catadores e catadoras
Rosely reconhece que catadores e catadoras são trabalhadores essenciais do meio ambiente e que defender essa categoria é também lutar contra a desigualdade e o preconceito de classe. Como aliada da causa, ela defende:
- A efetivação, na prática, da Lei 12.305/2010, garantindo que cooperativas de catadores sejam parceiras prioritárias e remuneradas na coleta seletiva dos municípios;
- Investimento em galpões, prensas, equipamentos de proteção individual e veículos para cooperativas e associações;
- Programas de alfabetização, formação e apoio jurídico para fortalecer a gestão das cooperativas;
- Reconhecimento público do papel ambiental e social dos catadores e catadoras, combatendo o preconceito que ainda cerca a profissão;
- Diálogo direto com o movimento organizado de catadores para construir políticas públicas junto com quem vive essa realidade, e não apenas para eles.
Pelo movimento de catadores e pelo meio ambiente, vote em Rosely Louzada, vote 13.110.