A agricultura familiar que sustenta a Paraíba
Quando se fala em agricultura familiar, muita gente ainda imagina uma produção pequena, quase invisível diante do agronegócio. Mas os números contam outra história: é a agricultura familiar que garante grande parte da comida que chega à mesa do povo paraibano, e é ela também que emprega a maioria de quem vive do trabalho na terra em nosso estado.
O que é agricultura familiar
Agricultura familiar é a produção conduzida pela própria família, que administra o trabalho e a terra ao mesmo tempo. Diferente do agronegócio, sua lógica não é a acumulação de lucro a qualquer custo, mas a subsistência da família e o sustento da comunidade ao redor — o trabalho contratado aparece apenas como complemento, quando é necessário. É um modelo de produção que aposta na diversidade de cultivos, no cuidado com a terra e na continuidade de práticas passadas de geração em geração.
Pela legislação brasileira, é considerada agricultura familiar a produção conduzida em pequenas áreas (até quatro módulos fiscais), com predomínio do trabalho da própria família e renda originada principalmente do próprio estabelecimento.
Por que ela é tão importante na Paraíba
Os dados do Censo Agropecuário mostram a força desse setor no nosso estado:
- 92% dos estabelecimentos rurais paraibanos são de agricultura familiar: a grande maioria da produção do campo vem das pequenas unidades familiares, e não dos grandes latifúndios.
- Mesmo assim, essas famílias ocupam pouco mais da metade da área rural do estado (cerca de 55%), enquanto o restante das terras está concentrado nas mãos de um número muito menor de grandes produtores, um retrato claro da desigualdade fundiária que ainda marca a Paraíba.
- Quase 9 em cada 10 pessoas que trabalham no campo paraibano têm sua ocupação ligada à agricultura familiar. É ela quem gera trabalho e renda para milhares de famílias.
- A produção familiar responde por parcela expressiva de alimentos essenciais do dia a dia, como feijão, mandioca, milho e forragem para criação de animais. O prato de comida do povo paraibano passa, na maior parte das vezes, pela mão de um agricultor ou agricultora familiar.
As mulheres do campo e os desafios que ainda existem
Ainda que a maioria dos estabelecimentos familiares seja dirigida por homens, a presença das mulheres no campo é significativa e cresce em importância — seja como produtoras à frente do próprio estabelecimento, seja como parte fundamental da mão de obra familiar que sustenta a produção, mesmo sem, muitas vezes, ser reconhecida formalmente por isso.
Ao mesmo tempo, a agricultura familiar paraibana enfrenta problemas estruturais que atravessam gerações:
- Baixo acesso à orientação técnica — a grande maioria dos estabelecimentos nunca recebeu qualquer tipo de assistência técnica para melhorar sua produção.
- Pouco acesso a crédito e financiamento — a maior parte das famílias produtoras nunca conseguiu ou nunca buscou financiamento, muitas vezes por medo de contrair dívidas que não conseguiriam pagar.
- Baixa escolaridade — parcela expressiva dos produtores e produtoras familiares não teve acesso à alfabetização plena, o que limita o acesso a políticas públicas, crédito e novas tecnologias.
- Pouca infraestrutura produtiva — poucos estabelecimentos contam com irrigação, tratores ou máquinas agrícolas modernas, o que torna o trabalho mais duro e menos produtivo.
Essas dificuldades não são acidentais: são resultado de décadas de políticas públicas que não priorizaram, na prática, quem mais produz e mais emprega no campo.
O que isso tem a ver com nossa candidatura
Rosely entende que resistir é lutar, e que lutar pela agricultura familiar é lutar pelas mulheres do campo, pela segurança alimentar do nosso povo e por uma Paraíba menos desigual. Isso significa, na prática:
- Ampliar o acesso das agricultoras familiares a linhas de crédito como o Pronaf Mulher, com acompanhamento e orientação para que o crédito não vire dívida impagável;
- Levar assistência técnica de verdade para quem produz — cursos, acompanhamento e apoio prático, não apenas no papel;
- Defender políticas de compra institucional de alimentos da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos, fortalecendo o mercado local e garantindo renda estável às famílias produtoras;
- Investir em infraestrutura básica do campo — irrigação, energia, estradas — para que o trabalho da roça seja mais digno e menos desgastante;
- Reconhecer o papel das mulheres na agricultura familiar, muitas vezes invisibilizado, e garantir que elas tenham voz nas decisões que afetam sua própria produção e sua própria vida.
Uma Paraíba que se alimenta do trabalho de quem resiste
A cada prato de comida que chega à mesa paraibana, há uma história de resistência por trás: a de famílias que continuam plantando, colhendo e criando, mesmo diante de tantas dificuldades. Defender a agricultura familiar é reconhecer esse trabalho e lutar para que ele seja, enfim, valorizado como merece.
Fortalecer quem planta é fortalecer quem alimenta a Paraíba inteira — essa é a luta de Rosely ao lado das mulheres do campo. Pela agricultura familiar, vote 13.110.